Ausente das produções televisivas brasileiras desde Amor à Vida, exibida em 2014, Marcello Antony quebrou o silêncio e falou abertamente sobre os bastidores de sua saída da TV Globo, após quase duas décadas de vínculo com a emissora. Durante uma conversa com a coluna Gente, da revista Veja, o ator explicou por que decidiu se distanciar dos projetos no Brasil e compartilhou sua perspectiva sobre os motivos que podem ter levado a um possível impedimento por parte de figuras influentes da dramaturgia da casa.
O episódio ocorreu quando ele foi convidado para dois trabalhos simultaneamente: A Favorita, obra de João Emanuel Carneiro sob direção de Ricardo Waddington, e o remake de Ciranda de Pedra, apresentado no horário das seis. Antony optou pelo segundo, indo contra as expectativas dos executivos. “Fui a uma reunião com o Mário Lúcio Vaz e solicitei participar da novela das seis. E ele: ‘Marcelo, estou há não sei quantos anos na Globo. Você é o primeiro que me pede para atuar em novela das seis e não das oito’. Então ele consentiu”, relatou. No entanto, essa decisão acarretou consequências. “A partir daquele momento fui vetado de tudo. Os egos lá dentro sepultaram qualquer possibilidade de convites futuros com eles.”
Mesmo distante do universo das telenovelas, Antony afirmou que consideraria um retorno, desde que o personagem representasse um desafio. “Acho complicado, porque as coisas mudaram. Bem, em primeiro lugar, dependo de convite, não é? […] Somente se fosse muito desafiador. Sou motivado pelo desafio. Se for desafiador, estamos dispostos a abrir mão de algumas coisas. Virou uma chave.” Atualmente, ele reside com a família em Lisboa e atua como corretor de imóveis de alto padrão. Trabalhando na The Agency — empresa que serviu de inspiração para o reality Buying Beverly Hills, da Netflix —, Antony revelou que ainda é amplamente reconhecido, inclusive fora do Brasil, devido ao sucesso de telenovelas como Senhora do Destino, Mulheres Apaixonadas e Terra Nostra. “É assim mesmo. Moro em Cascais, é como uma filial do Rio de Janeiro. Constantemente alguém me aborda.”
