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    Tv e cinema

    Avanço da IA faz produtoras audiovisuais adicionarem novas cláusulas contratuais – Jovem Pan

    By 14 de março de 2026Updated:15 de março de 2026Nenhum comentário7 Mins Read
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    O ator do Castelo Rá-Tim-Bum, Cassio Scapin, comentou sobre como a Inteligência Artificial mudou a vida dos artistas na indústria cinematográfica

    Divulgação/Instagram/@tillynorwoodAtriz de IA Tilly Norwood

    A Inteligência Artificial (IA) é utilizada por cerca de 25% das empresas responsáveis pela distribuição das produções audiovisuais. Os dados são de um relatóti de 2025 da Haivison, empresa de processamento e distribuição de vídeos ao vivo. A porcentagem marca um aumento significativo em relação aos 9% de 2024. Segundo os dados, a IA permeia diversas áreas da produção de mídia:

    • Legendagem;
    • Efeitos visuais;
    • Áudio;
    • Dublagem;
    • música;
    • Roteiros;
    • Edição;
    • Geração de vídeo;
    • Restauração;
    • Avatares virtuais;
    • Catalogação.

    Com o rápido avanço da IA no audiovisual, muito ainda deve ser analisado e compreendido, mas algumas produções, como propagandas, já são inteiramente feitas pela tecnologia.

    Em julho de 2025, a empresa Latam Airlines, em parceria com o Google, lançou vídeos para uma campanha publicitária sobre destinos de neve no Chile inteiramente feitos pelo ‘Veo 3’, programa avançado de IA.

    Assista a um dos vídeos

    Os atores e a IA

    O ator, diretor e produtor Cassio Scapin, de 61 anos, explicou que atualemente as produtoras de streaming, novelas e cinema em geral adicionaram uma nova cláusula nos contratos.

    “Hoje em dia todo e qualquer contrato que o ator assina para algum trabalho audiovisual vem uma cláusula para a permissão de uso universal do direito de imagem. Antes não existia isso, mas hoje com a IA a nossa cara pode ser usada até do outro lado do mundo”, disse o ator, que ganhou fama após interpretar o personagem Nino, o protagonista do seriado de televisão Castelo Rá-Tim-Bum, lançado em 1994.

    “Todo dia eu abro minhas redes e vejo imagens minhas da época do Castelo em vídeos que eu nunca fiz, ou ainda eu mais novo abraçando o eu mais velho, quem disse que eu gostaria de ver isso?“, explicou Scapin.

    Cassio está montando uma nova peça sobre a solidão do ser humano em relação à tecnologia. O projeto interativo, chamado “Distopia Hughie” é uma adaptação que terá como objetivo reunir pensadores sobre o tema da tecnologia e como ela afeta e ainda vai afetar nossas vidas.

    “A IA, a tecnologia como um todo, promove um apagamento da nossa memória, nos tornamos iguais, pensamos igual. Quero trazer a peça para incentivar a continuarmos refletindo e criando por si mesmo”, disse Cassio.

    Ator Cassio Scapin

    Ator Cassio Scapin

    Cassio Scapin falou ainda sobre o receio em relação a nova tecnologia. Quando perguntado como ele se sente em relação aos vídeos e montagens feitos por IA com o uso das imagens sem autorização, Cássio diz que vê como um abuso. “É inevitável não sentir medo. Sinto como uma espécie de violência, é um abuso, sem dúvidas“.

    Porém, enfatiza o fato de que a tecnologia está cada vez mais avançada e que não tem para onde fugir. “É preciso encarar de frente, a IA já está acontecendo. Nos resta entendê-la, conhecer seus pontos fracos e fortes para poder usá-la ao nosso favor”, finaliza.

    Para a comunidade de atores a exposição aparece sem que eles ao menos tenham conhecimento e é cada vez mais comum. Para Cassio Scapin, faz-se mais do que necessário a existência de uma regulamentação que proteja os artistas e suas identidades.

    “Os vídeos feitos com o meu rosto são bonitinhos e fofos até que sejam usados para algo de mau gosto. Acho que toda e qualquer regulamentação que garanta nossos direitos é bem-vinda, é uma questão de ética antes de pensar em qualquer remuneração“, falou o ator.

    Os bastidores da IA no audiovisual

    O roteirista, diretor e produtor executivo Igor Bastos, de 31 anos, é o fundador da produtora Espacial Filmes, empresa especializada em conteúdos de animação e produções audiovisuais.

    Bastos acredita que a IA auxiliou muito em aspectos como distribuição e principalmente burocráticos do audiovisual. “Para a distribuição dos filmes, no marketing e, principalmente na parte de análise de documentos, a IA tem nos auxiliado. Geralmente quem trabalha com cinema quer fazer filme, não ficar cuidando de papel. Nessa parte ela [IA] é muito bem-vinda”, explicou o produtor.

    Em 2017 o roteirista escreveu e dirigiu o filme “Placa-Mãe”, lançado em 2023 e premiado em países como EUA e Itália. O longa de animação fala sobre a história da robô “Nadi”, que ganhou cidadania e adotou dois irmãos negros e com idades fora dos padrões convencionais de adoção.

    A história se passa em Minas Gerais em uma realidade onde a robótica já avançada permite a criação de robôs com a IA. “O filme foi até usado como material didático na Suécia para discutir sobre Inteligência Artificial nas escolas por lá”, contou o Igor.

    A IA vem sendo utilizada mais do que apenas na parte administrativa do audiovisual. O estúdio de IA Xicoia, com sede em Londres na Inglaterra, criou a primeira ‘atriz’ inteiramente feita por IA com o nome de Tilly Norwood, em 2025.

    A empresa anunciou no último dia 2 de março que pretende projetar um “universo digital dinâmico e em constante evolução, onde Tilly e uma nova geração de personagens de IA viverão, colaborarão e construirão suas carreiras”.

    O estúdio revelou ainda que está contratando Mark Whelan, da Amazon Prime Video, como chefe de estratégia e operações do projeto. Segundo a Variety, eles planejam criar o chamado “Tillyverse” até o final de 2026.

    Eles buscam também “construir propriedade intelectual em grande escala e redefinir a forma como o talento é criado, desenvolvido e vivenciado na era da IA”.

    O medo da IA

    O produtor executivo Igor Bastos diz que a maioria das pessoas do mercado audiovisual sente medo do que a IA ainda pode proporcionar aos artistas. “Tem quem tem medo, tem aqueles que são entusiastas (uma pequena parcela mas existe) e os que enxergam como uma ferramenta, a qual é a minha opinião. Mas com certeza, pela minha experiência, a maioria tem medo do impacto da IA”, explicou.

    Ele comentou ainda sobre a apreensão que percebe de muitos aobre como a IA e o audiovisual podem virar uma junção sem distinção. “Acho que a IA é uma ferramenta de software, ela deve ser um processo dentro de uma produção audiovisual, mas não falar que o audiovisual e a IA serão a mesma coisa”, disse o produtor.

    “Mas o medo vem do desconhecido, faz parte, ainda não sabemos o que essa tecnologia é ao certo e isso não só no audiovisual, mas como na política também, estamos vivendo um momento de transformação”, completou Bastos.

    Produtor executivo Igor Bastos

    Produtor executivo Igor Bastos

    Projeto de lei regulamenta a IA

    O projeto de lei nº 2338/2023 que estabelece regras para o desenvolvimento, implementação e uso responsável dos sitemas de IA no Brasil trâmita na Câmara dos Deputados desde o final de 2025. O projeto ainda prevê a remuneração por direitos autorais para treinamento de modelos de IA, limites de reconhecimento facial e de serviços de infraestrutura e segurança.

    O diretor Igor Batos diz que projeto de lei é importante principalmente para assegurar financeiramente o autor da imagem ou do trabalho que é publicado por meio da IA usando os dados já feitos pertencentes a um ser humano. “O mais importante é remunerar quando se é usada uma propriedade de terceiros para o desenvolvimento de algo novo, nesse ponto acredito que o setor audiovisual está unido”, disse o produtor.

    “Acho que é um consenso criar uma legislação, para que o autor da obra receba pelos direitos autorais toda vez que a IA utilizar uma propriedade intelectual da pessoa, como já existe no mundo da música com o ECAD“, que se trata sobre o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, organização brasileira responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais das músicas aos autores e demais titulares.

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