Nizo Neto, descendente de Chico Anysio (1931-2012), manifestou apoio a Leo Lins nas plataformas digitais ao descobrir que o comediante foi sentenciado a oito anos e três meses de detenção em regime fechado e uma multa vultosa por suas declarações preconceituosas em um espetáculo. Para o experiente artista, mesmo não concordando com as palavras do indivíduo, ele considera que a punição foi excessiva.
Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, ele desabafou: “Admiro o Leo Lins, conheço-o há muitos anos, considero-o um humorista extremamente inteligente, mas ele seguiu por um caminho que eu, pessoalmente, não aprecio, esse humor muito agressivo, preconceituoso, e é um nicho para quem aprecia. Não é surpresa que ele encha teatros enormes. Contudo, na minha visão, realmente não me agrada”, iniciou. “Penso que o humor deve ser transgressor, deve cutucar a ferida, mas existe uma ética em brincar de forma tão incisiva, tão agressiva com temas como raça, gênero, pessoas com deficiência, xenofobia, fazer piadas zombando de indivíduos nascidos em determinado estado. Agora, prisão? Acho um tanto exagerado. Aqueles que se sentem ofendidos têm todo o direito de buscar as medidas legais. Não acredito que ele faça isso na frente das pessoas… Porque o palco te protege, te oferece uma certa segurança. Mas, sinceramente, a prisão em um caso como esse é um exagero”, concluiu Nizo.
Além do herdeiro de Chico Anysio, outras personalidades também defenderam Leo Lins, como Danilo Gentili, seu antigo colega de trabalho. “Esse espetáculo foi posteriormente divulgado no YouTube, e ao que tudo indica, isso foi considerado um delito. Olha, em um país onde o INSS é usado para fraudar idosos à força, a justiça punir um comediante por contar piadas em um ambiente propício para isso soa como uma piada de mau gosto. Mas o Brasil é assim, é um lugar onde o correto é questionável, o questionável é correto, e a decisão contra o Leo se baseia, entre outros argumentos, em dois pontos que são, no mínimo, questionáveis e realmente duvidosos. Um desses argumentos seria o de que a liberdade de expressão não pode ser ilimitada. Ora, mas a liberdade de expressão só pode ser ilimitada”, criticou.
