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    Crítica | The Boroughs prova que os irmãos Duffer ainda sabem brincar com o estranho – Jovem Pan

    By 21 de maio de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    Série acompanha Sam, interpretado por Alfred Molina, um viúvo amargurado que se muda para um condomínio de aposentados após a morte da esposa

    Divulgação/Netflixova série produzida pelos irmãos Duffer para a Netflix claramente carrega o DNA do fenômeno sobrenatural Stranger Things

    Se você entrar em The Boroughs esperando um novo Stranger Things disfarçado, talvez saia surpreso. A nova série produzida pelos irmãos Duffer para a Netflix claramente carrega o DNA do fenômeno sobrenatural que os transformou em referência da cultura pop, mas troca bicicletas e crianças dos anos 80 por um grupo de idosos vivendo em uma pacata comunidade de aposentados no deserto do Novo México. E, surpreendentemente, funciona muito melhor do que parece no papel.

    Criada por Jeffrey Addiss e Will Matthews, com os Duffers como produtores executivos, The Boroughs acompanha Sam, interpretado por Alfred Molina, um viúvo amargurado que se muda para um condomínio de aposentados após a morte da esposa. O que parece apenas um drama sobre envelhecimento rapidamente ganha contornos sombrios quando acontecimentos estranhos começam a transformar a tranquilidade do lugar em algo assustador. Mortes suspeitas, criaturas misteriosas e uma conspiração silenciosa fazem com que um grupo improvável de moradores se torne a última linha de defesa contra algo muito maior do que eles imaginavam.

    O grande acerto da série é justamente aquilo que poderia soar como sua ideia mais arriscada: colocar idosos no centro de uma trama de ficção científica e horror. Em vez de tratá-los como alívio cômico ou personagens frágeis, The Boroughs faz o oposto. A série transforma dores reais do envelhecimento, como luto, solidão, doenças e o medo do esquecimento, em combustível dramático. O monstro aqui não é apenas a criatura escondida na escuridão, mas também o tempo, a perda de autonomia e a sensação de invisibilidade social.

    O elenco veterano é outro trunfo quase injusto. Alfred Molina conduz a narrativa com uma mistura perfeita de rabugice e vulnerabilidade, enquanto Geena Davis, Alfre Woodard, Bill Pullman e Denis O’Hare criam um grupo de personagens tão carismático que você compra facilmente a ideia de aposentados enfrentando algo saído de um filme de Spielberg dos anos 80. Aliás, essa talvez seja a melhor forma de definir The Boroughs: parece a série de ficção científica que Steven Spielberg nunca fez, misturando aventura, emoção e aquele sentimento de maravilhamento diante do inexplicável.

    Mas nem tudo é perfeito. Em alguns momentos, a série parece confortável demais em fórmulas familiares. Quem já assistiu a Stranger Things, Dark ou até clássicos como Cocoon vai perceber ecos narrativos bastante evidentes. O mistério nem sempre surpreende e alguns twists podem ser antecipados cedo demais. Ainda assim, o roteiro compensa isso ao apostar mais nos personagens do que nos choques de roteiro.

    No fim, The Boroughs acerta justamente por não tentar ser “o novo Stranger Things”. A série encontra personalidade própria ao mostrar que aventura sobrenatural não pertence apenas aos jovens. Existe algo genuinamente emocionante em ver personagens que já viveram tanto decidindo lutar mais uma vez, agora contra algo impossível de explicar.

    Com oito episódios e um ritmo que evita enrolação, The Boroughs estreia como uma das apostas mais interessantes da Netflix no gênero em 2026. Talvez não seja tão viciante quanto o maior sucesso dos Duffers, mas entrega algo que poucas séries conseguem hoje: emoção sincera no meio do caos sobrenatural.

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