A transferência da influenciadora Deolane Bezerra para uma penitenciária no interior de São Paulo elevou ainda mais a repercussão de uma das maiores operações recentes contra lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado no país. Presa preventivamente durante ação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil, a advogada e empresária passou a ocupar posição central em uma investigação que apura a movimentação de milhões de reais supostamente relacionados ao PCC.
Deolane deixou a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da Capital paulista, ainda durante a madrugada desta sextafeira, escoltada por um comboio policial. O destino foi a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, unidade localizada no interior do Estado, para onde ela foi encaminhada por determinação judicial enquanto as investigações avançam.
A transferência ocorreu poucas horas após a prisão da influenciadora em Alphaville, condomínio de alto padrão onde ela reside. A operação cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão contra suspeitos apontados como integrantes de um esquema de lavagem de dinheiro associado ao tráfico de drogas e à estrutura financeira da facção criminosa.
Segundo as autoridades, a investigação identificou uma rede complexa de movimentações financeiras, empresas de fachada, transferências fracionadas e uso de pessoas públicas para ocultação de patrimônio e circulação de recursos ilícitos. O nome de Deolane aparece, de acordo com os investigadores, como peça importante dentro desse suposto mecanismo financeiro.
As apurações apontam que empresas ligadas à influenciadora teriam recebido quase R$ 2 milhões em operações consideradas suspeitas. Os investigadores afirmam que os depósitos eram feitos de maneira fragmentada para dificultar o rastreamento pelos órgãos de controle financeiro.
Além da prisão preventiva, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 357 milhões em bens e ativos financeiros relacionados aos investigados. Somente em nome de Deolane, o valor bloqueado ultrapassa R$ 27 milhões.
Durante entrevista coletiva, integrantes do Ministério Público afirmaram que organizações criminosas passaram a utilizar figuras públicas e influenciadores digitais como estratégia para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido de forma ilícita. A avaliação das autoridades é de que pessoas com grande exposição pública conseguem movimentar elevados valores financeiros sem despertar suspeitas imediatas.
A investigação também revelou que Deolane deveria ter sido presa ainda na quartafeira, quando estava em Roma, na Itália. Segundo integrantes da operação, houve articulação internacional para cumprimento do mandado, com apoio da Interpol e de autoridades italianas. No entanto, a influenciadora antecipou sua volta ao Brasil antes da efetivação da prisão no exterior.
Com o retorno ao país, os investigadores passaram a monitorar a movimentação da influenciadora até o cumprimento da ordem judicial em sua residência. A prisão ocorreu sem resistência.
Nos bastidores da investigação, as autoridades sustentam que o núcleo financeiro investigado possui ligação direta com integrantes históricos do PCC. O nome de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e de familiares ligados à facção aparece citado nas apurações relacionadas à transportadora investigada no interior paulista.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema começou a ser descoberto ainda em 2019, após agentes penitenciários encontrarem cartas manuscritas em uma cela da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Os documentos haviam sido jogados no esgoto por detentos durante revista na unidade prisional.
O material foi recuperado, seco e analisado pelos investigadores. Nas anotações, segundo a polícia, apareciam referências a armas, ataques contra agentes públicos, movimentações financeiras e a atuação de uma empresa de transporte supostamente usada para operações ilegais.
Foi a partir dessas informações que a investigação avançou até alcançar operadores financeiros, empresários e pessoas públicas suspeitas de participação no esquema.
Além de Deolane, também foi preso Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado pelas autoridades como operador financeiro do grupo investigado. Já Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos de Marcola, seguem foragidos no exterior.
As autoridades acreditam que a estrutura criminosa utilizava empresas aparentemente regulares para movimentar recursos oriundos do tráfico de drogas, ocultar patrimônio e reinserir o dinheiro no sistema financeiro formal.
A defesa da influenciadora informou que está tendo acesso aos autos do processo e analisando as acusações apresentadas pelas autoridades. Os advogados também protocolaram pedido de prisão domiciliar, alegando que Deolane possui uma filha menor de idade que depende diretamente de seus cuidados.
O pedido deverá ser analisado pela Justiça nos próximos dias. Enquanto isso, a influenciadora permanece custodiada na penitenciária do interior paulista.
A operação continua em andamento e novas fases não estão descartadas. Investigadores trabalham agora na análise de celulares, computadores, documentos financeiros e contratos apreendidos durante as diligências realizadas em São Paulo e em outras cidades.
Nos bastidores das forças de segurança, a avaliação é de que o caso pode revelar uma estrutura ainda maior de lavagem de dinheiro envolvendo empresas, operadores financeiros, laranjas e pessoas com forte influência digital e empresarial.
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